Um vídeo que circula nas redes sociais reacendeu o debate sobre o sistema nacional de transplantes no Brasil. Nas imagens, um homem expressa sua indignação, relatando estar há oito anos na fila de espera por um órgão, enquanto o apresentador de TV Fausto Silva, segundo ele, teria realizado quatro transplantes em menos de dois anos. O homem anônimo questiona a justiça do sistema e pede a intervenção da Polícia Federal para investigar o caso.
O Sistema Nacional de Transplantes (SNT), gerido pelo Ministério da Saúde, é o responsável por toda a logística de doação e transplante de órgãos no país. A fila de espera é única, sem distinção de classe social ou fama. A prioridade é determinada por critérios técnicos e médicos rigorosos, como a gravidade do caso, a compatibilidade entre doador e receptor, e o tempo de espera.
A polêmica envolvendo Fausto Silva começou em agosto de 2023, quando ele recebeu um transplante de coração. Na época, o Ministério da Saúde esclareceu que o apresentador teve prioridade na fila devido à gravidade e urgência de seu quadro clínico. Um coração de doador, por exemplo, tem um tempo de viabilidade muito curto, o que exige que o receptor seja compatível e esteja pronto para a cirurgia em poucas horas.
Em fevereiro de 2024, Fausto Silva realizou um novo transplante, desta vez de rim. Segundo a equipe médica, a deterioração do rim foi uma consequência do transplante de coração e do tratamento subsequente. Mais uma vez, o Ministério da Saúde confirmou que o apresentador seguiu as regras e que a alocação do órgão foi feita pelo sistema nacional, sem qualquer tipo de privilégio. A informação de que ele teria feito quatro transplantes é imprecisa; Faustão, de fato, fez dois transplantes em um período curto, mas ambos seguiram as regras da fila, baseados na urgência de seu estado de saúde.
A Polícia Federal (PF) pode ser acionada para investigar possíveis crimes, como tráfico de órgãos ou favorecimento ilegal. No entanto, o sistema de transplantes é auditado por órgãos de controle, e a alocação de órgãos é automatizada por um sistema de computador, que busca a melhor compatibilidade entre doador e receptor.
O clamor por investigação, embora compreensível diante da angústia de quem aguarda na fila, baseia-se em informações que se mostraram imprecisas. É natural que a disparidade entre o tempo de espera do homem no vídeo e a rapidez com que Faustão recebeu os órgãos gere questionamentos. No entanto, é crucial entender que a urgência médica é o fator decisivo para a prioridade na fila, e não a fama ou a riqueza do paciente.